Se Collor não for eleito em Alagoas, é quase certo que sua vida política acaba

Ueslei Marcelino/ReutersFernando Collor no SenadoFernando Collor deve ser candidato ao governo de Alagoas

Fernando Collor de Mello. Lembram-se dele? Foi presidente da República de 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992. Era caçador de marajás, como dizia na sua propaganda política. Costumava usar uma camiseta com a inscrição “O tempo é o senhor da razão”. Antigamente, marajá era um título feudal da Índia. E atualmente marajá se refere especialmente a funcionários públicos ou de empresas estatais com altos salários e privilégios exorbitantes. Não caçou marajá nenhum. E com essa conversa foi eleito presidente. Também foi deputado federal e governador de Alagoas. Deixou a Presidência da República por impeachment. Renunciou momentos antes. Lembram-se? Hoje é senador pelo PTB. Nunca abandonou a rapadura. Nunca. E agora será candidato a governador de Alagoas, outra vez. Ia ser candidato à reeleição no Senado, mas mudou de ideia. Chega de ser senador. 

Essa gente muda de cargo com facilidade, sempre bem empregados. Collor está sempre com o governo. Faz bem ser próximo do poder, de quem manda. Tanto que foi aliado de Luiz Inácio da Silva, de Dilma Rousseff e de Michel Temer. Tentou até atrair Fernando Henrique Cardoso. Mas FHC se esquivou. Agora ele quer o apoio do presidente Bolsonaro. Assim, o presidente terá palanque em Alagoas. Uma troca de favores. Mas tem uma coisa: Collor quer apoio explícito, para todo mundo ver. Parece que Bolsonaro se dá bem com ele. Aliás, ele mesmo se encarregou de espalhar a notícia que tem o apoio do presidente. Nos discursos que tem feito em Maceió, sempre toca nesse assunto, utilizando palavras bonitas. Faz questão de dizer sempre que tem o apoio do presidente do auxílio Brasil, do auxílio pandemia, do vale gás, do programa casa verde e amarela e outras coisas mais. Uma beleza. 

O atual governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB) tentará se reeleger com o apoio de Luiz Inácio da Silva e do grupo do senador Renan Calheiros, aquele. Desistiu do Senado porque o Renan Filho (MDB) está melhor nas pesquisas. Collor sempre se agarrou em Lula. E Lula aceitava esse agrado. Até que a relação entre os dois acabou em 2016. Então começou a atacar o PT com palavras ásperas. Foi um dos maiores apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff. Além do PT, Collor tem de enfrentar a turma de Renan Calheiros, exatamente Calheiros que o ajudou a ser presidente da República. É mesmo uma gente sem compostura nenhuma. Hoje Calheiros manda em Alagoas e só não xinga a mãe de Collor porque pega muito mal. O rompimento com Renan Calheiros ocorreu em 1990. Calheiros era candidato ao governo de Alagoas e Collor não apoiou. Desde então, o antigo amigo transformou-se num inimigo feroz. É assim que funciona. Collor está aí, mendigando apoio de quem quer que seja. Bolsonaro ainda não sabe bem o que fazer. Dá um apoio de leve. No fundo o presidente gosta de Collor. Na verdade, nada tem a perder. Ganha um palanque em Alagoas e está tudo bem. Já Collor não fala mais em marajás. E os marajás continuam por aí, em todo lugar do país, levando vantagens em tudo. Se Collor não for eleito em Alagoas, é quase certo que sua vida política acaba. Ou então continuará no desvio de sempre.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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Fonte: Jovem Pan


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