Plano de fazer contagem paralela dos votos representa uma bomba nas urnas eletrônicas

Nelson Jr./ ASICS/ TSEurnaEleições de outubro incluem votação para presidente, governador, senador e deputado federal e estadual

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) continua convidando as Forças Armadas para que participem do processo eleitoral de outubro. Não se resolve nada. No fim é sempre a mesma coisa. Certamente, as “autoridades” querem manter um certo nível para não parecer que nesse espaço só existem desavenças. Desde que esses contatos foram iniciados, por determinação do presidente Bolsonaro, os resultados são pífios, não ajudam as eleições em absolutamente nada. Há sempre algo mais a ser discutido na cabeça do presidente da República. Bolsonaro prefere continuar criticando o TSE e deixa claro que não confia nas urnas eletrônicas. E mais uma vez, o presidente do TSE, Edson Fachin, reiterou seu convite às Forças Armadas a participarem nesta segunda-feira, 20, da reunião da Comissão de Transparência Eleitoral. E mais uma vez aquela mesma ladainha de sempre. Houve uma novidade que pode ter um significado especial: os representantes das Forças Armadas permaneceram em silêncio completo. 

O ofício repleto de palavras bonitas foi enviado ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Fachin explicou que conta com o trabalho dos militares, principalmente para o suporte logístico das eleições. E mais uma vez, o encontro serviu apenas para agravar o impasse. Agora, a Defesa quer uma reunião exclusiva entre técnicos das Forças Armadas e do TSE para discutir as eleições e as urnas eletrônicas. Exclusiva. O presidente do Tribunal, Edson Fachin, negou a tal reunião exclusiva, observando que qualquer encontro tem que ser realizado na Comissão de Transparência Eleitoral. O ministro da Defesa pede essa reunião para “dirimir eventuais divergências que teriam surgido nos trabalhos da Comissão”. Fachin não gostou. 

Está criado mais um problema, exatamente como deseja o presidente Bolsonaro. Se o objetivo dessa conversa toda é cancelar as eleições de outubro, que o façam sem todas essas encenações. O documento de Fachin ao ministro da Defesa convidando para a reunião desta segunda-feira, 20, foi divulgado no domingo, 19, e representou uma resposta ao ofício encaminhado pelo ministro da Defesa do TSE, pedindo um encontro entre técnicos militares e do Tribunal. Edson Fachin respondeu e reiterou o convite, observando que a Comissão de Transparência tem dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura, sem nada a esconder de ninguém. Assim, esse novo encontro representa um grande reforço é de importância fundamental. Tudo bem, em países civilizados, os problemas são discutidos em alto nível. Só que tem uma coisa: enquanto o presidente do TSE e o ministro da Defesa trocam ofícios, o presidente Bolsonaro age no subterrâneo, com manobras por baixo do pano. O presidente agora vem discutindo com os auxiliares mais próximos, de inteira confiança, que deseja realizar uma apuração paralela da votação. Como isso será feito ninguém sabe ainda. O que se sabe é que, nesse caso, as redes sociais e todos os veículos ligados ao bolsonarismo serão fundamentais. Os especialistas no assunto garantem que a decisão de Bolsonaro trará grandes perturbações no processo eleitoral. Exatamente como ele deseja, melar a eleição. 

Voltando ao ofício de Edson Fachin, ele assinala que a grande maioria das sugestões das Forças Armadas foram aceitas pelo TSE. Isso indica, como diz o ofício, o compromisso público da Justiça Eleitoral com a concretização de um diálogo plural, não apenas com os parceiros institucionais, mas também com a sociedade civil. Fachin chegou a dizer que as sugestões que não foram acolhidas poderão ser avaliadas novamente para as próximas eleições. Já o ministro da Defesa tem cobrado que todas as sugestões sejam acolhidas pelo Tribunal. É um jogo de força. Quem é o mais forte? O mais forte costuma ganhar o jogo. Mas a determinação disso tudo é melar as eleições de outubro. E ninguém saberá ao certo o que poderá acontecer. O plano de Bolsonaro fazer uma contagem dos votos paralela representa uma bomba atômica nas pobres urnas eletrônicas. E jogo duro mesmo. É o vale-tudo. Vai ser assim, isto é, se de fato as eleições forem realizadas. O que ninguém pode garantir.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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Fonte: Jovem Pan


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