Dom Odilo Scherer pede seriedade em investigação contra Lancellotti

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, quer que a Igreja Católica leve a sério a investigação de assédio sexual contra Júlio Lancellotti. O padre Ricardo Cardoso repassou a recomendação ao jornalista Cristiano Gomes. Eles conversaram na tarde desta sexta-feira, 9.

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Na companhia do advogado Diego Alves, Gomes conversou com Cardoso, mas não na condição de profissional da comunicação. Na tarde desta sexta-feira, ele compareceu à unidade do Ipiranga, bairro da zona sul paulistana, da Arquidiocese de São Paulo. Durante duas horas, ele respondeu, sobretudo, a perguntas sobre o relato de assédio sexual por parte de Lancellotti, em 1987. Na ocasião, ele tinha 11 anos e era coroinha da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, bairro vizinho ao Ipiranga. Lancellotti era — e ainda é — o pároco local.

“Creio que a Arquidiocese está levando isso muito a sério”, disse Gomes, com exclusividade a Oeste, logo depois de conversar por cerca de duas horas com Cardoso. “O próprio padre Ricardo disse que é uma recomendação do dom Odilo Scherer, de que se leve essa investigação a sério, de que se tenha cuidado.”

Diante dessa informação, Gomes espera que as lideranças católicas levem a sua denúncia adiante. “Isso me levar a crer que não haverá arquivamento”, disse o ex-coroinha, hoje com 48 anos, mas que segue sem se esquecer do que ocorreu há 37 anos. “Acredito que não vão ignorar o meu relato e nem o fato traumático.”

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A quem o acusa de “querer aparecer” ou de estar a serviço de algum nicho político, justamente em ano de eleições municipais, o jornalista lembra que, antes de relatar o caso à reportagem de Oeste no mês passado, já havia alertado sobre Lancellotti em outros dois momentos. No Facebook, por exemplo, ele postou sobre o tema em 2018. Além disso, voltou a denunciar o padre pela mesma rede social em 2022.

Dom Odilo Scherer e os próximos passos da denúncia contra Lancellotti

Com ou sem a recomendação do arcebispo dom Odilo Scherer, a Igreja Católica vai seguir com a denúncia de assédio sexual contra o padre Júlio Lancellotti. Conforme Gomes, Cardoso avisou que, com o recebimento oficial do relato, a igreja deverá se posicionar em até dez dias. Ele não soube informar, contudo, se são dez dias úteis ou “corridos”.

De acordo com as informações, esse período vai servir para 12 membros da Igreja Católica se reunirem para avaliação conjunta da denúncia feita pelo ex-coroinha. Depois disso, há dois caminhos possíveis. Um, a saber, seria o arquivamento. Já a outra possibilidade é seguir com as investigações internas, com Lancellotti podendo se tornar alvo de punições, como afastamento das atividades paroquiais.

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Fonte: Revista Oeste


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