Variante brasileira do coronavírus é mais transmissível, capaz de driblar sistema imune e causar reinfecção, aponta pesquisa

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Estudo também mostrou que, em sete semanas, a P.1. se tornou a linhagem do SARS-CoV-2 mais prevalente na região de Manaus, no Amazonas.

1 de 1 Funcionário anda com roupas protetoras e um guarda-chuva em meio a túmulos no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no dia 25 de fevereiro. — Foto: Michael Dantas/AFP

Funcionário anda com roupas protetoras e um guarda-chuva em meio a túmulos no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no dia 25 de fevereiro. — Foto: Michael Dantas/AFP

A variante brasileira do coronavírus, que provavelmente emergiu em Manaus no fim de 2020, pode driblar o sistema imune de indivíduos já infectados pela Covid-19 e causar uma nova infecção, de acordo com uma nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1°). Além disso, pode ser até 2,2 vezes mais transmissível do que as outras variantes do vírus.

“Esta nova variante pode infectar mesmo quem já tem anticorpos contra o novo coronavírus depois de uma primeira infecção natural” – Ester Sabino, imunologista e professora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP)

O estudo, coordenado por Sabino e pelo pesquisador da Universidade de Oxford Nuno Faria, foi feito com base na análise genômica de 184 amostras de pacientes diagnosticados com a Covid-19 em um laboratório de Manaus, entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.

Por meio de modelagem matemática, cruzando dados genômicos e de mortalidade, a equipe de pesquisadores calculou que a variante de Manaus, conhecida como P.1., é entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível que as linhagens que a precederam, segundo nota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que apoiou o estudo.

“Os cientistas estimam ainda que em parte dos indivíduos já infectados pelo SARS-CoV-2 – algo entre 25% e 61% – a nova variante seja capaz de driblar o sistema imune e causar uma nova infecção”, disse a Fapesp. O trabalho de modelagem foi feito em colaboração com pesquisadores do Imperial College de Londres.

Diante de uma variante mais transmissível, há uma grande preocupação sobre como as vacinas aprovadas contra a Covid-19 irão reagir a ela. Segundo Sabino, apesar de também tratar de imunidade, o estudo não tem relação com eventual eficácia das vacinas, uma vez que o trabalho se baseou apenas na imunidade de pessoas que já tiveram a doença.

VÍDEO: o que já sabemos sobre a variante brasileira do coronavírus

“O trabalho sugere que esse vírus consegue evadir a imunidade adquirida por infecção, não dá pra falar de vacina nesse momento. Depois vai depender da vacina, podem ser vacinas diferentes”, afirmou a imunologista. O estudo foi enviado para processo de revisão por pares e está em processo de avaliação de revistas científicas.

O trabalho também apontou que em apenas sete semanas a P.1. tornou-se a linhagem do SARS-CoV-2 mais prevalente na região de Manaus. Segundo Sabino, “parece bastante provável” que a nova variante consegue se replicar mais no organismo humano do que a linhagem anterior.

A nova variante é apontada como uma das causas do colapso do sistema de saúde de Manaus no início deste ano, quando a capital do Amazonas sofreu uma falta de oxigênio nos hospitais devido à explosão de casos novos, com pacientes morrendo sufocados nos leitos.

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Fonte: Ciência e Saúde – G1

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